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Conheça o “cão boiadeiro brasileiro”: Pastor da Mantiqueira conquista espaço no manejo do gado

Tempo de Leitura: 3 minutos

Raça nacional, o Pastor da Mantiqueira se destaca pela rusticidade, inteligência e habilidade em áreas de difícil acesso, tornando-se aliado indispensável na pecuária de montanha

Pouco conhecido fora do meio rural, o Pastor da Mantiqueira vem chamando a atenção de criadores e fazendeiros por sua impressionante habilidade no manejo do gado. Apelidado de “cão boiadeiro brasileiro”, ele é uma das raras raças caninas de origem nacional voltadas especificamente para o pastoreio e condução de rebanhos bovinos, especialmente em terrenos íngremes e de difícil acesso.

A raça surgiu na Serra da Mantiqueira, cadeia montanhosa que atravessa os estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Nessas regiões, o Pastor da Mantiqueira tornou-se um aliado essencial de peões e tropeiros, auxiliando na lida com a boiada em locais onde nem mesmo o cavalo conseguia avançar com segurança.

Origem ligada à história rural

A origem do Pastor da Mantiqueira ainda desperta debates entre estudiosos e criadores. Uma das hipóteses aponta influência de cães pastores europeus, como o Pastor Belga e o Pastor Holandês. No entanto, a teoria mais aceita indica que seus ancestrais seriam cães ibéricos, trazidos ao Brasil durante o período da União Ibérica (1580–1640).

Raças espanholas como o Pastor Garafiano, o Pastor Basco e o Can de Palleiro, além do português Cão da Serra da Estrela, apresentam semelhanças morfológicas e funcionais com o cão brasileiro. Já no século XX, esses cães teriam sido selecionados naturalmente pelos trabalhadores do campo, que buscavam um animal rústico, obediente, resistente e inteligente para o manejo diário do gado.

O isolamento natural da Serra da Mantiqueira contribuiu para a preservação genética da raça, mantendo suas características originais ao longo das gerações.

Características físicas e pelagem marcante

De porte médio e corpo quadrangular, o Pastor da Mantiqueira se destaca pela agilidade e vigor físico. Possui orelhas eretas, focinho fino e olhos expressivos, que podem apresentar cores diferentes. A pelagem pode ser curta, média ou longa, com textura lisa ou crespa.

As cores mais comuns incluem preto, branco, castanho e dourado, além de combinações bicolores. A coloração mais emblemática da raça é o chamado “azulego”, uma mescla de pelos pretos e amarelos que confere ao animal um aspecto acinzentado ou azulado — muito valorizado pelos criadores.

Ferramenta de trabalho no campo

Mais do que um cão de companhia, o Pastor da Mantiqueira é considerado uma verdadeira ferramenta de trabalho na pecuária. Rústico, enérgico e com forte instinto de pastoreio, ele integra a clássica tríade da pecuária de montanha: peão, cavalo e cão.

Sua principal função é conduzir, reunir e movimentar rebanhos bovinos em áreas íngremes, onde sua mobilidade supera até a do cavalo. Embora também seja utilizado no manejo de ovinos e equinos, é no trabalho com o gado que a raça demonstra todo o seu potencial.

O apelido “policialzinho” faz referência tanto à semelhança com pastores europeus quanto ao seu comportamento vigilante, atento e incansável ao lado do vaqueiro.

Reconhecimento e preservação da raça

Atualmente, o Pastor da Mantiqueira é reconhecido oficialmente pela Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC), pela SOBRACI e pela ALKC. Aos poucos, a raça começa a ganhar espaço fora de sua região de origem.

A preservação genética depende do trabalho de criadores especializados, como os canis Império da Mantiqueira, Mantiqueira Real, Mantiqueira 2 Irmãos, Vale do Indaiá e Quizanga, que se dedicam à seleção responsável e à manutenção das características funcionais da raça.

Mesmo pouco difundido quando comparado a raças estrangeiras, o Pastor da Mantiqueira representa um patrimônio genético brasileiro, resultado direto da tradição do trabalho rural e da adaptação às condições únicas das serras do Sudeste.

Mais do que um cão boiadeiro, o Pastor da Mantiqueira simboliza a resistência, a inteligência e a parceria histórica entre homem, cavalo e cão, mantendo viva uma herança fundamental da pecuária brasileira.

Por Bianca Sandrine | Pecuária em Foco

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